quarta-feira, 27 de abril de 2016

Atitude Profissional - Parte 2: Sobre demonização



Entre tantos objetivos do Escrevivendo está o debate sobre a postura profissional do escritor. Se podemos dizer que existem classificações para escritores como “mainstream”, “cults”, “acadêmicos”, “comerciais”, não temos qualquer problema em nos colocar sob o último rótulo. Buscamos escrever e falar sobre a escrita com os elementos que consideramos básicos para um livro de sucesso: qualidade, apelo e relevância. E é com essa visão de escritores comerciais que conversamos com os participantes do curso.
A postura profissional, pela nossa visão, é formada por um conjunto de atitudes que seguem um denominador: bom senso!
É claro que estou simplificando.
O mercado literário pode parecer cruel para quem se aventura nele. As dificuldades são mais que desafiadoras. Muitas e muitas vezes, a paciência e a perseverança podem ser colocadas à prova. E de formas bastante intensas. É nessas horas que o profissionalismo tem que imperar.
Uma tentação básica que acomete os escritores – não necessariamente os iniciantes – é a demonização.
Tive um exemplo pessoal disso quando aconteceu a onda dos livros de colorir, em 2015. Por também ser ilustrador, tive a oportunidade de lançar dois deles. Não sofri nenhum ataque pessoal, mas vi uma legião de escritores (alguns bem vendidos) e editores demonizando a moda. Alguns chegaram ao ponto de culpar os livros de colorir pela queda das vendas de livros e pelo hábito de leitura reduzido do brasileiro. Um disparate.
Mas esse é só um exemplo. Autores nacionais demonizam editores, outros autores, livrarias e até os leitores por seus resultados. Montam blogs, fazem postagens em redes sociais, brigam na imprensa. O único resultado: desgastam-se. Enferrujam suas relações com editoras, azedam suas relações com leitores, travam suas relações com livrarias. E gastam uma energia importantíssima, que seria melhor usada no próprio trabalho. Conheço casos extremos de autores que dividem seu tempo e energia de forma desproporcional, mais demonizando e brigando do que investindo em si.
Então, nosso conselho básico no Escrevivendo: Não desperdice tempo e energia em exorcismos vãos. Isso não leva a lugar nenhum. Aquele livro de colorir não está roubando seus leitores, assim como aquele vlogueiro famoso não está achatando suas vendas. Nem mesmo aquele gênero que entrou na moda está acabando com sua carreira. Concentre-se em fazer o seu melhor. Trabalhe a qualidade de seu texto, busque a relevância de suas ideias, potencialize seu talento. Sua carreira depende muito mais de suas escolhas, de sua paciência e de sua perseverança. Não de seu desgaste e sua luta contra demônios imaginários.



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